Todos já vivenciaram um conflito em algum momento, seja no trabalho, nas relações familiares ou consigo mesmo. Mas o que, afinal, acontece em nossa mente durante essas situações?
Entender o funcionamento psíquico e cerebral por trás dos conflitos pode nos ajudar a lidar melhor com eles, tanto em nível pessoal quanto profissional.
Neste artigo, vamos explorar como as emoções, o inconsciente e os circuitos cerebrais atuam quando enfrentamos um impasse, unindo saberes da Psicanálise e das Neurociências.
Emoções e razão: um falso antagonismo
Durante muito tempo, acreditou-se que emoção e razão eram forças opostas. Mas estudos recentes, como os do neurocientista António Damásio, mostram que as emoções são fundamentais para a tomada de decisões. Quando entramos em conflito, nosso cérebro ativa memórias, experiências e sentimentos que influenciam nossas escolhas, muitas vezes de forma inconsciente.
O papel do inconsciente nos conflitos
Segundo a Psicanálise, não reagimos apenas ao presente: nossas respostas emocionais são moldadas por experiências passadas, especialmente as da infância. Conflitos ativam essas marcas subjetivas , nossos desejos, medos e expectativas , que nem sempre estão disponíveis à consciência. Por isso, reações desproporcionais ou emocionais em conflitos podem ser pistas de que algo mais profundo está em jogo.
O que as Neurociências revelam sobre o conflito
A partir do famoso caso de Phineas Gage, Damásio demonstrou que lesões na área cerebral responsável pela regulação emocional afetam diretamente a capacidade de tomar decisões. Em um conflito, emoções como raiva, medo e tristeza ativam sistemas fisiológicos e cognitivos. Elas não são “inimigas da razão” . Na verdade são parte do processo racional, ajudando a priorizar, pesar consequências e tomar decisões mais alinhadas aos nossos valores.
Conflitos e a formação da identidade
A forma como lidamos com o conflito também está ligada à nossa história psíquica. A Psicanálise ensina que somos movidos por desejos e pulsões, e que o convívio social exige que façamos escolhas, abrindo mão de algumas satisfações em nome do coletivo. Entrar em conflito, portanto, não é somente sobre o outro: é também um encontro com nossas próprias contradições.
Como lidar com os conflitos de forma mais consciente?
Entender o que se passa internamente já é um primeiro passo importante. Ao reconhecer as emoções envolvidas e o que elas sinalizam, ampliamos nossa capacidade de agir com mais clareza e menos impulsividade. Práticas como a psicoterapia e a mediação de conflitos com escuta qualificada são recursos potentes para transformar impasses em aprendizado.
Conflitos fazem parte da convivência, mas não precisam ser destrutivos. Quando compreendemos o que se passa em nossa mente , unindo os saberes da Psicanálise e das Neurociências , ampliamos nossas possibilidades de escolha. Em vez de reagir automaticamente, podemos responder com mais consciência e cuidado. Afinal, os conflitos também podem ser oportunidades de crescimento.
No livro intitulado “Contribuições da Neurociência à Implementação das Políticas Autocompositivas”, você encontra artigos sobre o tema, inclusive sobre o tema: Mediação, Psicanálise e Neurociências: Uma intercessão possível e necessária para entender e lidar com as emoções, de Cleide Rocha de Andrade, psicóloga e mediadora aqui da T&C Psicologia e Mediação.



