Escolher também é perder. Essa afirmação, embora desconfortável, carrega em si uma verdade profunda — algo que a psicanálise nos ajuda a entender. Tomar decisões difíceis vai além de simplesmente pesar prós e contras: envolve desejos escondidos, medos antigos e, acima de tudo, aquilo que precisamos abrir mão para seguir em frente. A psicanálise mostra que, por trás de cada escolha, existe uma perda — e que tentar escapar disso pode acabar nos prendendo ainda mais.
O que a psicanálise revela sobre escolhas difíceis
A decisão de seguir por um caminho implica, inevitavelmente, em abrir mão de outros. Para a psicanálise, esse conflito entre o desejo e a renúncia não é apenas lógico ou racional, mas emocional — e muitas vezes inconsciente.
Em outras palavras: não decidimos apenas com a razão. Desejos infantis, memórias antigas e fantasias de “ter tudo” moldam nossas escolhas — ou nos paralisam diante delas. O inconsciente quer o impossível: viver todas as possibilidades sem abrir mão de nenhuma.
A ilusão de não perder nada: o mito da completude
Muitas pessoas sofrem por acreditarem que existe uma escolha “perfeita”, sem perdas. Porém, não há como entrar por duas portas ao mesmo tempo. A psicanálise nos ensina que a completude é um mito — e viver é, essencialmente, suportar a falta.
Renunciar não significa fracassar. Significa reconhecer que a realidade impõe limites, e que aceitar isso é parte do amadurecimento psíquico.
Indecisão também é uma escolha — e tem um custo
Curiosamente, evitar decidir é, por si só, uma forma de decisão. Ao se recusar a escolher, o sujeito permanece num ciclo de repetição, frustração e inércia. O não-movimento se transforma em sofrimento crônico.
Por que temos tanto medo de renunciar?
Renunciar pode evocar angústias primitivas: medo de errar, de decepcionar os outros, de se arrepender. Por trás dessas emoções, muitas vezes há uma idealização do “eu perfeito” que nunca falha.
A escolha exige que abandonemos esse ideal — e aceitemos que, sim, podemos errar. Mas também podemos reparar, recomeçar e, sobretudo, aprender com aquilo que vivemos.
Como a psicoterapia pode ajudar a escolher com mais consciência
Na escuta psicanalítica, o foco não está em dizer qual é a escolha “certa”, mas em ajudar a pessoa a escutar seu próprio desejo, com mais clareza, coragem e responsabilidade.
Esse processo acontece com cuidado, no tempo de cada um, respeitando a singularidade de sua história. A partir dessa escuta, torna-se possível entender o que realmente está em jogo nas decisões difíceis — e perceber que certos bloqueios podem estar ligados a fantasias, medos ou padrões inconscientes que ainda não foram elaborados.
Escolher também é viver
A vida é feita de escolhas. E de perdas. Mas é justamente esse movimento — de decidir, abrir mão e seguir — que nos permite amadurecer, aprender e nos transformar. Escolher, apesar da dor, também é uma forma de viver com mais verdade.
Se o momento atual tem trazido dúvidas, angústia ou um impasse difícil de atravessar, saiba que isso não significa fraqueza — e sim que algo importante está pedindo atenção. E esse algo pode ser acolhido, compreendido e elaborado com ajuda.
Vamos conversar?
Se você sente que chegou a um ponto onde precisa de apoio para entender seus sentimentos, seus desejos e suas escolhas, a psicoterapia pode ser esse espaço.
Um espaço de escuta, reflexão e construção de caminhos possíveis.
👉 Fale com a gente e descubra como dar voz ao que realmente importa para você.



